Pandemia da COVID-19: consequências para o setor

Procurando ir acompanhando e antecipando o impacto sobre o setor de consultoria e projeto resultante da crise sanitária e do estado de emergência decretado, a APPC realizou até esta data 3 inquéritos às empresas associadas.
O mais recente foi respondido por 38 empresas.
Apresentamos aqui os resultados do 2º inquérito e do 3º inquérito, começando pelo mais recente.

Resultados do 3º INQUÉRITO

Questão 1- Sobre a manutenção da capacidade operacional na última quinzena
  • 47% das empresas assinalam que se manteve, 24% que se reduziu até 10% e 26% assinalam redução entre 10 e 25%. Nesta fase, apenas 3% das empresas referem reduções entre 25 e 40%.
  • Em síntese, melhorou sobremaneira a forma como as empresas puderam acomodar as restrições no período objeto de inquérito, a última quinzena.

Questão 2- Sobre o modo da prestação efetiva de trabalho (em média)
  • 75% do pessoal das empresas encontra-se em regime de teletrabalho, 23% mantêm-se no seu local habitual de trabalho e cerca de 2% encontra-se em baixa médica ou em apoio aos filhos.
  • Verifica-se que ocorreu uma transferência de cerca de 5 pontos percentuais de pessoal em teletrabalho para o local habitual de trabalho, a que não será indiferente a dificuldade de realizar algumas atividades em teletrabalho.
  • Relativamente à questão sobre se a empresa tenciona recorrer a Lay-off, 84% das empresas respondem negativamente, contra as 16% que respondem afirmativamente, indicando que pretendem ver coberta, em média, 25% da massa salarial.
  • Reduziu-se o número de empresas que previam vir a recorrer a Lay-off, a que não será alheio o facto de o regime legal dificultar o acesso às atividades que não foram suspensas ou que não tiveram demonstráveis quedas abruptas das vendas.

Questão 3- Sobre investimentos na área da informática para fazer face à situação
  • 61% das empresas indicam ter tido necessidade de investir neste domínio, o que representa uma subida de 3 pontos percentuais em relação ao inquérito anterior.

Questão 4- Sobre o impacto nas Vendas
  • São 24% as empresas que indicam não prever redução do volume de negócios nos próximos 2 meses e são 18% as que indicam não o prever para a totalidade do ano de 2020.
  • Existe neste aspeto uma clara melhoria de perspetiva em relação ao último inquérito.
  • 68% das empresas indicam prever reduções superiores a 10% nos próximos 2 meses e 71% das empresas preveem perdas superiores a 10% na totalidade do ano.
  • Também aqui se verifica uma melhoria de perspetiva, se bem que os dados permaneçam complexos.
  • 27% das empresas já preveem reduções superiores a 25% em 2 meses e 21% indicam reduções superiores a 25% no global do ano.
  • Em linha com as análises anteriores, a perceção melhorou significativamente.
  • Relativamente à questão de saber se existe suspensão de trabalhos em curso, 61% das empresas responde que sim e uma significativa parte (37%) assinala suspensões entre 10 e 25%.
  • Aumentaram, inequivocamente, os trabalhos objeto de suspensão.
  • Mais atingidos na suspensão de contratos são reportados trabalhos de Fiscalização (39%), Projeto (24%), sendo os restantes 37% relativos a trabalhos suspensos no domínio da Consultoria.
  • Verificou-se aqui um decréscimo do peso relativo dos trabalhos de fiscalização suspensos, com transferência para os trabalhos de Projeto e Consultoria.

Questão 5- Na dinâmica comercial, sente-se abrandamento do ritmo de oportunidades/ concursos?
  • 78% das empresas sentem esse abrandamento em relação a clientes privados e apenas 56% o referem em relação a clientes públicos. Nos clientes privados, 61% das empresas perceciona abrandamento superior a 10%. Nos clientes públicos são 29% as empresas que percecionam abrandamento de mais de 10%.
  • A perspetiva de abrandamento permanece intensa, sobretudo no que respeita aos clientes do setor privado

Questão 6- Está a sentir impacto na Tesouraria da Empresa?
  • 61% das empresas sentem impacto relativamente a atrasos de pagamento de clientes privados, ao passo que apenas 34% o referem relativamente  a clientes do setor público.
  • Em relação ao último inquérito verifica-se uma melhoria da perspetiva.

Questão 7- Tem sentido constrangimentos na atividade internacional da Empresa?
  • Esta questão só devia ser respondida pelas empresas em que a atividade internacional represente mais de 10% do volume de negócios, pelo que apenas 22 empresas responderam, sendo que 64% referem constrangimentos com algum significado e 18% com muito significado, ao passo que 18% das empresas referem não ter sentido constrangimentos.
  • 36% das empresas assinalam a suspensão do contrato por parte do cliente como causa, 27% assinalam o facto de os recursos humanos alocados terem de deixar o país-cliente e 32% referem a inexistência de condições para assegurar a logística e os meios adequados, por parte do cliente (23%) ou por parte da empresa (9%). 14% das empresas assinalam o incumprimento dos pagamentos contratuais como motivo da redução da atividade. 

Resultados do 2º INQUÉRITO

Questão 1- Sobre a manutenção da capacidade operacional na última quinzena
  • 23% das empresas assinalam que se manteve, 38% que se reduziu até 10% e 23% assinalam redução entre 10 e 25%. Nesta fase, já 16% das empresas referem reduções entre 25 e 40% e superiores a 40%

Questão 2- Sobre o modo da prestação efetiva de trabalho (em média)
  • 80% do pessoal das empresas encontra-se em regime de teletrabalho, 18% mantêm-se no seu local habitual de trabalho e um pouco menos de 2% encontra-se em baixa médica ou em apoio aos filhos
  • Relativamente à questão agora introduzida sobre se a empresa tenciona recorrer a Lay-off, 77% das empresas respondem negativamente, contra as 23% que já respondem afirmativamente, indicando que pretendem ver coberta, em média, 39% da massa salarial

Questão 3- Sobre investimentos na área da informática para fazer face à situação
  • 58% das empresas indicam ter investido neste domínio

Questão 4- Sobre o impacto nas Vendas
  • Apenas 21% das empresas indicam não prever redução do volume de negócios nos próximos 2 meses e apenas 8% indicam não o prever para a totalidade do ano de 2020
  • 72% das empresas indicam prever reduções superiores a 10% nos próximos 2 meses e 80% das empresas preveem perdas superiores a 10% na totalidade do ano
  • 36% das empresas já preveem reduções superiores a 25% em 2 meses e 44% indicam reduções superiores a 25% no global do ano
  • Relativamente à questão de saber se existe suspensão de trabalhos em curso, 68% das empresas responde que sim e uma significativa parte (21%) assinala suspensões entre 10 e 25%
  • Mais atingidos na suspensão de contratos são reportados trabalhos de Fiscalização (42%), Projeto (39%), sendo os restantes 19% relativos a trabalhos suspensos no domínio da Consultoria

Questão 5- Na dinâmica comercial, sente-se abrandamento do ritmo de oportunidades/ concursos?
  • 92% das empresas sentem esse abrandamento em relação a clientes privados e apenas 62% o referem em relação a clientes públicos. Nos clientes privados, 56% das empresas perceciona abrandamento superior a 25%

Questão 6- Está a sentir impacto na Tesouraria da Empresa?
  • 74% das empresas sentem impacto relativamente a atrasos de pagamento de clientes privados, ao passo que apenas 40% o referem relativamente a clientes do setor público

Questão 7- Tem sentido constrangimentos na atividade internacional da Empresa?
  • Esta questão só devia ser respondida pelas empresas em que a atividade internacional represente mais de 10% do volume de negócios, pelo que apenas 21 empresas responderam, sendo que 62% referem constrangimentos com algum significado e 24% com muito significado
  • 26% das empresas assinalam a suspensão do contrato por parte do cliente como causa, 21% assinalam o facto de os recursos humanos alocados terem de deixar o país-cliente e 36% referem a inexistência de condições para assegurar a logística e os meios adequados, por parte do cliente (21%) ou por parte da empresa (15%).